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Juiz com carreira mais duradoura no 1º Grau pendura sua toga: conheça Rui Antonio Cruz


JUIZ COM CARREIRA MAIS DURADOURA NO 1º GRAU PENDURA SUA TOGA: CONHEÇA RUI ANTONIO CRUZ

Após mais de 43 anos de dedicação ao Poder Judiciário do Paraná, se aposenta o magistrado

Rui Antonio Cruz nasceu em 29 de setembro de 1946, na cidade de Bento de Abreu, no interior de São Paulo. Desde cedo, aos 14, começou a trabalhar no cartório de Araçatuba, na pequena cidade onde cresceu e residia com seus pais, irmãos e irmãs. Mal sabia que ali, tão perto da Justiça, o seu destino continuaria pelo resto de sua vida. 

Por 12 anos, permaneceu como cartorário — “era sossegado”, lembra. “Pagava bem, eu era jovem. Era só trabalhar e festar, mas minha mãe insistiu que eu ingressasse na faculdade de Direito”, contou o magistrado. Em 1972, formou-se em Direito na cidade de Bauru, São Paulo. Mais seis anos, a partir dali, foram dedicados à advocacia, em Assis Chateaubriand, no Paraná. 

Entretanto, a sua vocação o levou mais longe. Ruy passou em segundo lugar no concurso de magistratura, iniciando os trabalhos em 18 de janeiro de 1978, na cidade de Loanda, também no Paraná. Mas toda carreira tem suas dificuldades. 

O primeiro processo que chegou às suas mãos não fazia sentido. Leu, releu e leu novamente, mas não entendia. No meio da noite, porém, o insight veio. O processo de reintegração de posse, para o qual havia sido designado, não possuía aprovação na posse anterior. Naquela madrugada, encontrou a peça do quebra-cabeça que faltava. 

A partir daí, foram mais de 43 anos de magistratura no Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), 38 deles somente na comarca de Campo Mourão. Como ele mesmo explica, durante esse período, procurou “conduzir como um cidadão comum com o poder da Justiça, buscando ser intransigente com o erro e compreensivo com quem erra.”

Entre idas e vindas, muitas histórias cruzaram-se com a sua e muitas outras, ainda, Dr. Rui ajudou a escrever. Dos momentos marcantes de sua carreira, um deles, em especial, o emociona até hoje. Como o magistrado conta, quando era criança, levava diariamente o jantar para seu pai no trabalho, que era no caminho da escola. “O pai era guardião de posto de gasolina, não tinha formação, e sempre foi muito correto. O pai entrava no trabalho às 18h, e às 19h eu levava a marmita para ele no caminho da escola, que era perto. Às vezes, seu Matsumoto, dono do posto de gasolina, estava lá e me via com a marmita do meu pai”, explica.

Já no cargo de Juiz, em Campo Mourão, recebeu o Celso, um ex-colega do cartório de Araçatuba, que foi à cidade resolver um problema de terra do Sr. Matsumoto, o mesmo dono do posto de gasolina, e o chamou para ir ao gabinete do magistrado. Lá, o Celso perguntou para o Sr. Matsumoto: “sabe quem é o Doutor aí, seu Matsumoto?". “Aí ele entrou, ficou me olhando, e falou 'nossa, como parece Seu Cruz.' Aquilo encheu o meu coração de orgulho. Meu pai, como guardião de posto de gasolina, tinha dignidade no cargo”, relembra o magistrado.

Durante a construção de sua carreira, casou-se com Ana Maria Arantes Cruz, com quem permanece desde 1974. “Tivemos dois filhos, o Rodrigo, médico veterinário, e a Ana Paula, nutricionista. Tenho três netos: Maria Fernanda, filha do Rodrigo, acadêmica de fisioterapia; e dois meninos, João Vitor e Matheus, com sete e quatro anos, respectivamente, filhos da Ana Paula”, conta.


Carreira no TJPR

Atualmente, é o sexto magistrado em maior tempo de atuação no TJPR, ficando atrás somente das Desembargadoras Maria José de Toledo Marcondes Teixeira e Maria Mercis Gomes Aniceto e dos Desembargadores Ruy Cunha Sobrinho, Robson Marques Cury e Nilson Mizuta. 

Para os colegas da carreira da magistratura, aconselha: "Eu diria para os colegas que continuem perseverando. Nós somos o último bastão do cidadão, quando o cidadão não tem mais a quem recorrer, ele vem a nós, e nós devemos estar sempre de braços abertos."

Completando seus 75 anos no próximo dia 29 de setembro, Dr. Rui já deu entrada no pedido de aposentadoria no Tribunal, e fez questão de visitar Curitiba, capital do Estado, para se despedir e agradecer, pessoalmente, ao Presidente da instituição, o Desembargador José Laurindo de Souza Netto. 

"Chegou a minha estação de descer. Quando era a minha hora de subir, eu subi, e agora chegou a minha estação de descer. E vou descer para que o trem continue em paz, com muita alegria e com muita harmonia interna. É isso que eu desejo quando eu apear desse trem chamado Poder Judiciário."

 

Por Amanda Kurlapski.