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História do Judiciário Paranaense - Desembargador Francisco da Cunha Pereira


História do Judiciário Paranaense - Desembargador Francisco da Cunha Pereira
Por Des. Robson Marques Cury
Ter, 29 Dez 2020 12:45:52 -0300

O Desembargador Francisco da Cunha Pereira, nascido em 1897, foi o primeiro Juiz de Menores da Capital onde permaneceu por vinte e três anos, Desembargador desde 1947, ocupou a vice-presidência, bem como a presidência do Tribunal Regional Eleitoral. Faleceu com 103 anos. Professor fundador da Faculdade de Direito de Curitiba. É patrono do Fórum de Pinhais e do Fórum Eleitoral de Paranaguá.

Tive a honra de conhecê-lo pessoalmente no ano anterior ao do seu centenário, quando compareci em sua casa decorada com móveis do início do século XX na Avenida Visconde de Guarapuava, para coletar seu voto na eleição da Associação dos Magistrados do Paraná.

Quem bem o conheceu foi Vânia Elizabeth Cherem Fabrício de Melo, esposa do Desembargador Lauro Augusto Fabrício de Melo, e sobre ele articulou expressivo depoimento denominado “Despedida”:

 “Há homens que passam pela vida em brancas nuvens, diversamente daqueles que, pelo fulgor de seu espírito e da cultura, pelo clarão sideral da inteligência, deixam belas e perenes marcas de suas vidas no transfluir da passagem por essa terra.

É o que ocorre, neste momento, com o Des. Cunha Pereira, pelo qual meu marido – Lauro Augusto Fabrício de Melo – e toda a família Fabrício de Melo tinham uma grande admiração.

Quem não se recorda do dia em que completou cem anos de vida, da sessão solene realizada na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, recebendo consagradora homenagem. Ao agradecer, citou a lenda árabe do tecelão pobre e do sheik rico. Entre ondas de simpatia e admiração, a plateia assistia com os olhos fixos no homenageado, que ao completar seu centenário era a mesma pessoa de quando o conheci, pois sempre o visitávamos, eu e Lauro, em sua residência. Acompanhado de sua esposa D. Julinda, nos recebia com grande fidalguia.

Era o mesmo de épocas passadas, a sua figura expressiva e cativante, simples e diplomata, que aglutinava amigos e conhecidos, convertendo-os em admiradores seus, pela natural magia de sua personalidade ou pelo modo ímpar do seu trato.

No revoluteio da memória, faço uma incursão pelo passado, que já vai distante e saudoso, revendo-o na fraternal convivência com meu querido falecido sogro – Des. Fabrício de Melo – os quais mantinham estreita amizade.

É como se fosse hoje, lembro-me da felicidade quando meus filhos foram aprovados em concurso para a magistratura e recebi uma de suas ligações telefônicas, passando um pincel nos acontecimentos passados, parabenizando-me e afirmando que eles seriam grandes magistrados, pois podia entrever que seguiriam o exemplo do avô, o qual sempre lutou pelo direito e justiça, nunca esmorecendo, inclusive quando alguns incautos procuravam inabilmente atingi-lo, pusilanimemente, inobservando a balança que representa a justiça.

Também rememorando em reminiscências, o dileto casal Des. Cunha Pereira e D. Julinda foram nossos padrinhos de casamento, naqueles francos idos da doce aurora da vida.

A morte é uma ponte que separa a vida e, quando ela chega, as palavras se escondem na angústia da separação, mas é uma contingência humana, que ninguém pode impedir.

Temos que reverenciar quem merece ser homenageado. Por isso, como esposa e mãe de juízes, não poderia deixar de escrever essas simples palavras, as quais, porém, brotam do meu coração. Des. Cunha Pereira – que agora está longe de nós – sua imagem ficou mais próxima dos que o conheceram, por sempre enobrecer os sentimentos universais de respeito e solidariedade.

Todos os homens morrem, mas poucos vivem. A vida não tem mais que duas portas, uma de entrada pelo nascimento, outra de saída pela morte, e nesta despedida terrena tenho certeza que está nesse momento diante do Senhor, invocando a Prece de um Juiz:

 ‘E quando um dia, finalmente, eu sucumbir e já então como réu comparecer à tua augusta presença para o último juízo, olha compassivo para mim. Dita a tua sentença. Julga-me como Deus, eu julguei como Homem.’ (Com Justiça e com Afeto II, Artes & Textos, Comunicare Gráfica e Editora, 1999)”

Também muito honrou-me conhecer seu filho Francisco Cunha Pereira Filho, advogado e jornalista, fundador do jornal Gazeta do Povo, adquirido em 1962, onde foram publicados meus escritos intitulados “Cotidiano Forense”, depois compilados em livro com esse nome. E em 1965 adquiriu a TV Paranaense fundada por Nagib Chede, que em 1976 tornou-se afiliada da Rede Globo. No final da década de 70 e ao longo das décadas de 80 e 90, Francisco Cunha Pereira Filho e seu sócio Edmundo Lemanski adquiriram a TV Cultura de Maringá; a TV Coroados de Londrina; a TV Imagem de Paranavaí; a TV Cataratas de Foz do Iguaçu; a TV Esplanada de Ponta Grossa; a TV Oeste de Cascavel; e a TV Guairacá de Guarapuava. Em 2000, o grupo passou a se chamar RPC (Rede Paranaense de Comunicação), agregando as oito afiliadas da Globo, os jornais Gazeta do Povo e Jornal de Londrina, o Portal RPC e as rádios Mundo Livre e 98 FM.

Em toda a sua história de advogado e comunicador, Francisco Cunha Pereira Filho se dedicou à luta pelas causas do Paraná. Ele foi responsável por uma série de campanhas que marcaram para sempre a história do Estado. Entre as bandeiras que levantou estavam o direito de o Paraná receber os royalties de Itaipu, como compensação pela perda de áreas férteis inundadas pelo da usina hidrelétrica, e a campanha contra a criação do Estado do Iguaçu, que dividiria o nosso estado.

Advogado, atuou no Tribunal do Júri e fez carreira como jornalista. Foi Presidente do Instituto dos Advogados do Paraná. Lecionou na Universidade do Paraná nas cadeiras de Ciências das Finanças, Direito Internacional Privado e Previdência Social. Membro da Academia Paranaense de Letras.

Faleceu em 2009 e pouco mais de um ano depois morreu o seu amigo de quarenta anos o empresário Edmundo Lemanski dono do Banco Comercial, que conheceu em 1962 ao lhe dar carona no seu famoso Studbacker. Edmundo sugeriu a Francisco a compra do jornal Gazeta do Povo, então pertencente ao professor Oscar De Plácido e Silva, foi o início da construção desse império de comunicação.

Seus filhos Guilherme Doring Cunha Pereira e Ana Amélia Cunha Pereira Filizola continuam na administração das empresas do grupo.

Desembargador ROBSON MARQUES CURY   



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